2º Encontro de 2018.2

Ecomplex - 2º Encontro 2018.2

O tema da discussão desse dia foi o capítulo “Transdisciplinariedad, complejidad ecoformación: la triada básica para una nueva formación universitaria” do livro “Abrir los saberes a la complejidad de la vida: Nuevas prácticas transdisciplinarias en la universidad”, da autora Ana Cecilia Espinosa Martínez. Ocorreu sob a coordenação das integrantes do grupo Mércia Lima e Stephanny Mendes, moderada pelas professoras Germana Belchior e Iasna Viana e, através deste, relatada por Janyle Azevedo e Paulo Falcão.

O grupo iniciou a conversa por meio do seguinte questionamento inaugural, feito pela
coordenadora Stephanny: “Existem limites na transdisciplinaridade?”. Alguns integrantes, já familiarizados com o tema, começaram a expressar suas opiniões. A exemplo da Laélia, que faz mestrado em uma área diferente da que fez graduação e tem dificuldade em encontrar orientador para sua pesquisa por causa disso. A professora Germana complementou dizendo que, além de ser uma situação comum, é difícil também para o professor quando quer orientar, mas não é especialista no objeto de pesquisa do orientando. Então, a também coordenadora Mércia teceu comentários comparando a época em que ela fez sua graduação e o nosso grupo de estudo (atual), o qual ela considera revolucionário por enxergar o Direito para além do Vade Mecum e da doutrina. Nesse sentido, Alan ressaltou que, quando se apresenta uma nova perspectiva (sobre o Direito), as pessoas costumam reagir com estranheza e afastamento.

Nesse momento, Stephanny chamou atenção para a necessidade de autoconhecimento abordada no texto – de conhecer a si mesmo para depois conhecer ao redor – e pediu ao grupo exemplos de aplicação da complexidade no cotidiano. Janyle, que se considera um tanto cética, citou seu relacionamento com a mãe religiosa. Germana citou a polarização rixosa devido às eleições em curso. Ambos casos que exigem empatia e reconhecimento de que não se é o “dono da razão” para que se realize a Cultura de Paz; para que o convívio e o afeto sejam possíveis independentemente das diferenças. Alan, ainda comentando sobre essa polarização, aproveitou o ensejo para abordar a lógica do terceiro incluído, que nos permite ter uma terceira opinião em vez de nos limitarmos a votar em “A” ou em “anti-A”; uma que seja um pouco dos dois e talvez além.

A palavra retornou a Stephanny, que fez um resumo oral do texto e devolveu a palavra aos demais com uma nova indagação: “Como a transdisciplinaridade e o pensamento complexo podem modificar a nossa visão de mundo?”. Observou-se, pelo questionamento, que não é possível falar em pensamento complexo sem falar em transdisciplinaridade. Nesse ponto, houve a necessidade de clarear o conceito da transdisciplinaridade, a fim de não confundi-la com a pluridisciplinaridade e com a interdisciplinaridade. Para tanto, o grupo definiu que a pluridisciplinaridade seria o estudo do objeto de uma disciplina por meio de várias disciplinas ao mesmo tempo. O objeto sai enriquecido, mas não há troca entre as disciplinas. Já a interdisciplinaridade, que é a proposta adotada pelo MEC, seria a cooperação entre várias disciplinas ou setores heterogêneos de uma mesma ciência que levam a interações reais, enriquecimento mútuo das disciplinas. Se essa é aplicada com dificuldade, quanto mais a transdisciplinaridade, que é uma superação delas duas e se propõe a derrubar as fronteiras entre as disciplinas; por estar ao mesmo tempo entre, através e além das disciplinas. Após, foram propícios os comentários de Germana e Henrique sobre as metáforas da árvore (para a interdisciplinaridade) e do rizoma/rede (para a transdisciplinaridade). Germana observou ainda que não existem práticas transdisciplinares no Ensino Superior e que há grande resistência mesmo em buscá-las.

Hélio, que veio da Engenharia para o Direito, disse que considera natural a incompreensão de seus colegas quanto a essa decisão dele, pois, desde que há divisão técnica do trabalho, o trabalhador tem uma visão muito limitada da realidade. O mesmo ocorre com a ciência: a divisão entre ciências impede que os estudantes tenham uma visão holística. Notou ainda que a complexidade é nova apenas na abordagem, mas desde que o homem interage com a natureza, ela já existe. Alan complementou afirmando que a separação em subáreas dentro do próprio Direito, desde já, impede-nos de enxergar conexões com outras áreas além do Direito. Stephanny associou isso à consequência de os alunos não darem o devido valor às disciplinas propedêuticas e Henrique relembrou os ciclos que compõem as grades curriculares no Nível Superior: o ciclo humanístico, primeiro; seguido do ciclo técnico; e, na conclusão do curso, o ciclo profissional. Atentou ainda para o fato de que os alunos focam muito na parte técnica e se esquecem de desenvolver a parte humana

Por fim, a dupla responsável pelo lúdico (Thaís Lucas e Joana Brandão) reproduziu dois
vídeos. O primeiro trazia um trecho do filme “Harry Potter e a Pedra Filosofal”, que tinha legendas editadas que faziam parecer que os personagens dialogavam sobre os conceitos de pluri, inter e transdisciplinaridade. O segundo era um vídeo musical, no qual o cantor Nando Reis interpretava uma composição sua, a música “Segundo Sol”. Segundo a interpretação que nos trouxe Janyle, a letra significa a retratação de Nando para com uma amiga dele que, ao compartilhar a crença dela na vinda de um segundo Sol literal, foi destratada por ele. Depois, ele se arrependeu, pois percebeu que do mesmo modo que ela tinha fé na religião, ele tinha “fé” na ciência, que não é estável. A reflexão passada é justamente sobre empatia: afastar-se dos pré-julgamentos, colocar-se no lugar do outro e tentar enxergar, pelos olhos do outro, o mundo.

Autor: grupoecomplex

O Grupo de Estudos “ECOMPLEX: Direito, Complexidade e Meio Ambiente” lançou edital para seleção de membros. O ECOMPLEX é coordenado pela Prof.ª Dr.ª Germana Belchior e possui as seguintes linhas de pesquisa: Pensamento Complexo, Direito e Transdisciplinaridade: busca investigar acerca do pensamento complexo e suas consequências para o conhecimento científico do Direito e o diálogo de saberes. Tem como pergunta de partida: Como e em que medida o pensamento complexo influencia os saberes no Direito? Complexidade, Epistemologia e Direito Ambiental: pretende investigar como o Direito Ambiental influencia a formação de uma nova epistemologia jurídica sob a óptica do pensamento complexo. Tem como pergunta de partida: Quais são os fundamentos de uma epistemologia jurídico-ambiental? Complexidade e Ensino Jurídico: intenta investigar sobre a necessidade premente de transformações no ensino jurídico em virtude do pensamento complexo. Tem como pergunta de partida: Qual é a repercussão do pensamento complexo no ensino jurídico e, consequentemente, na formação de futuros profissionais do Direito?

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