2º Encontro de 2018.1

Por Janaina e Liliane

O tema da discussão de hoje foi o capítulo “Complexidade, do casulo à borboleta” da autora Maria da Conceição de Almeida, do livro “Ensaios de complexidade” (autores: Gustavo de Castro e Edgar de Assis Carvalho) do livro, sob coordenação dos integrantes do grupo Alan e Dominik. A reunião foi moderada por Iasna em decorrência de ausência da professora Germana. As relatoras do encontro foram Liliane e Janaina.

A autora estudada divide seu texto em quatro tópicos:

1) Crise e incerteza: autora critica a forma verticalizada do ensino, cada saber com sua caixinha sem correlação com outras áreas. Esse modelo cartesiano já não corresponde mais ao nosso novo jeito de viver. A autora enfatiza que Edgar Morin sempre fez parte de suas leituras desde muito cedo e isso influenciou em seus pensamentos que refletem muito em torno da impossibilidade de se fugir à amplitude da complexidade no âmbito da educação. É preciso uma mudança radical na forma de ver o mundo, se reinventando constantemente e reaceitando o que foi negado por muito tempo durante a história da humanidade. É preciso pensar de forma transnacional e planetária.

2) Ideia de complexidade de Edgar Morin: surgiu do princípio dos sistemas tendo como exemplo a Revolução Quântica, que foi um divisor de águas para se ter um estudo adequado a determinado objeto. Descobertas não chegam a um fim mas à descoberta de algo demasiado complexo exigindo uma compreensão transdisciplinar, ou seja, com diálogo entre todas as áreas do conhecimento. Usa como metáfora o estado de um navio ao mar, pois ele está solto ao mesmo tempo em que está amarrado a locais específicos. É muito maior do que simplesmente a soma das partes. Usa como exemplo a tapeçaria que não é apenas a soma dos fios, por isso não adianta estudar fio a fio, mas as características coletivas destes, sempre numa visão sistêmica e holística. Cada fio tem sua história e características distintas que coletivamente formam a peça final, linda e perfeita.

3) Cultura, cognição e complexidade: a cultura que dá acesso ao conceito de ser humano como ser inacabado. Cultura, cognição e complexidade estão também interligadas. Nesse tópico a autora insere alguns alertas, como a separação do conhecimento por áreas. Neste sentido quem cuida da área da complexidade? Não há uma única área. A forma de organização fragmentada vai mutilando a própria construção de seu conhecimento, que pode se tornar uma aberração e longe de uma resposta coerente. “Se a árvore estiver envenenada, os frutos também estarão”. Foi levantado no grupo uma discussão sobre como estamos a cada dia nos especializando mais, sabendo cada dia mais sobre cada vez menos e perdemos a noção de que este “mais”está inserido em algo maior. Como exemplo foi citado o caso que o próprio Edgar Morin descreve, do criador da bomba atômica que focou tanto na explosão dos átomos que desconsiderou as consequências desta explosão para a humanidade. O modelo cartesiano não é ruim, em determinadas áreas é essencial, inclusive, no entanto deve-se ter cuidado para a não desvinculação da realidade, de sua amplitude e correlação com o todo.

4) Educação, desconstrução e reconstrução: a autora enfatiza que sem a desconstrução e reconstrução do modelo de educação nunca será possível uma nova abordagem, direcionada para esta visão sistêmica e integrada. As pessoas precisam ser menos egoístas ao impor sua visão de mundo, oportunizando perceber o pensamento do outro, para uma construção da “complexidade”. O grupo levantou a polêmica acerca do ensino jurídico, dogmatizado como é atualmente, “OABtizando”o ensino, focado apenas para a aprovação no exame de ordem ou concursos jurídicos. O próprio Direito toma posse de tudo, não oportunizando que outros profissionais de outras áreas possam contribuir.

Alguns integrantes falaram sobre seus projetos de pesquisa para apresentar na Semana Científica na UNI7. O encontro foi finalizado com o lúdico, sob coordenação da Nicole que nos apresentou uma mandala que se movimenta com setas, parece uma flor que mostra a interação do Homem com o Cosmos, rompendo a linearidade e privilegiando a criatividade como forma para fugir dos “padrões” de respostas cartesianas. Também trouxe um poema sobre a tapeçaria (de Stênio Marcius), que trata sobre a busca de respostas também não cartesiana.

Autor: grupoecomplex

O Grupo de Estudos “ECOMPLEX: Direito, Complexidade e Meio Ambiente” lançou edital para seleção de membros. O ECOMPLEX é coordenado pela Prof.ª Dr.ª Germana Belchior e possui as seguintes linhas de pesquisa: Pensamento Complexo, Direito e Transdisciplinaridade: busca investigar acerca do pensamento complexo e suas consequências para o conhecimento científico do Direito e o diálogo de saberes. Tem como pergunta de partida: Como e em que medida o pensamento complexo influencia os saberes no Direito? Complexidade, Epistemologia e Direito Ambiental: pretende investigar como o Direito Ambiental influencia a formação de uma nova epistemologia jurídica sob a óptica do pensamento complexo. Tem como pergunta de partida: Quais são os fundamentos de uma epistemologia jurídico-ambiental? Complexidade e Ensino Jurídico: intenta investigar sobre a necessidade premente de transformações no ensino jurídico em virtude do pensamento complexo. Tem como pergunta de partida: Qual é a repercussão do pensamento complexo no ensino jurídico e, consequentemente, na formação de futuros profissionais do Direito?

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