4º Encontro de 2019.1

Por Yara e André

O Terceiro encontro do semestre propôs um debate sobre os capítulos 6, 7 e 8 (Teoria Mecânica do Direito, A Armadilha Mecanicista, Do Capital ao Commons, e A transformação Ecológica no Direito) do livro “A Revolução Ecojurídica: o Direito Sistêmico em Sintonia com a Natureza e a Comunidade”, dos autores Fritjof e Capra.

Ocorreu sob a coordenação dos integrantes Alan e Stephanie, com o lúdico articulado pela integrante Tereza Raquel, e aqui relatado por Yara Oliveira e André Câmara.

Foi dado início ao encontro com o Lúdico, por uma questão de programação e logística da articuladora Tereza Raquel, onde apresentou trechos do filme “Cidade do Silêncio”, que segundo ela traz a reflexão da exploração financeira do trabalho das mulheres, exploração mais frequentemente ocorrida em ambiente fabril. As empresas forneciam transportes para levá-las até as fábricas, mas, no retorno dessas mulheres para casa, havia muitas mortes. Às vezes eram até estupradas, tinham seus seios cortados e seus olhos arrancados, e as pessoas que sabiam dessas situações tinham poderes nessas cidades e eram totalmente coniventes com essa exploração. Continuou dizendo que, depois de um tempo, foram constatados os inúmeros casos de mulheres desaparecida, e que foram encontradas em valas comunitárias, muitas dessas mulheres com a mesmas mutilações. Quando a situação eclodiu a nível mundial já se tinha milhares de mulheres mortas.

No segundo momento expôs o documentário “História das coisas”, documentário este que objetiva uma análise do sistema produtivo, perpassando da extração, a produção, venda, consumo e descarte, de todos os produtos em nossa vida que afetam comunidades em diversos países, a maior parte delas longe de nossos olhos. O documentário revela as conexões entre diversos problemas ambientais e sociais, alertando a urgência de criarmos um mundo mais sustentável e justo.

Em seguida, o relator André fez a leitura do relatório do encontro passado, produzido pelo integrante Gean.

A professora Germana Belchior abriu a reflexão de como a pesquisa se relaciona com as vivencias do próprio pesquisador, e de como a pesquisa tem a ver com algo que realmente nos inquieta, que é algo nosso, um sonho, é algo que se quer defender. Deu ainda o exemplo de uma pesquisadora que tem uma filha autista, na qual seu viés de pesquisa envolve a defesa das questões dos direitos dos deficientes, entre outras linhas de pesquisa. Hoje, são questões discutidas de forma muito aberta, e se percebe essa relação do pesquisador com a pesquisa, e como o processo de autoconhecimento é algo profundo e de extrema importância.

Surgiu então, a indagação do Ian, que perguntou sobre a diferença entre o pensamento sistêmico e o pensamento complexo? A professora Germana respondeu que o pensamento complexo é um pensamento sistêmico e que o pensamento sistêmico é maior que pensamento complexo, citando alguns autores como Luhmann, Capra e Morin, que muito bem expõem essa temática.

Colocou ainda que as constelações familiares estão dentro do pensamento complexo, que se você entende essa perspectiva sistêmica você entende essa relação com pensamento complexo, e que o pensamento sistêmico não elimina o simplista, e sim o completa. Indicou ainda alguns livros sobre a temática, afirmando que é preciso ter uma base para o pensamento complexo, por que sem essa base, não se consegue relacionar o pensamento complexo com nada, mas que quando se entende, percebe-se sua relação com todas as áreas, seja com direito internacional seja com ensino jurídico e tecnologia, dependendo do tema que se escolhe, as relações não tem fim.

Ainda sobre perspectiva sistêmica a professora germana apontou que é preciso deixar as vezes, a racionalidade de lado, e ser mais intuitivo, afinal, não se sabe de tudo, então trabalhar a intuição seria um desafio nosso. Ian colocou que, ao mesmo tempo em que trabalhamos a intuição porque não compreendemos racionalmente certas coisas, também não compreendemos a própria intuição.

Germana, evidenciou que é preciso viver e sentir para que você possa se encontrar, falou sobre técnicas que ajudam a refletir esse processo, como a meditação, a danças e outros. Que o sentido de viver outras coisas nos direciona ao encontro da conexão que se busca.

Alan pautou, como exemplo, um processo seletivo de uma empresa, onde o seletor, além de indagações consideradas comuns, perguntava coisas que os candidatos não esperavam, como “qual a sua linha de pesquisa? Quais são seus hobby?”, e que isto surpreendia os candidatos.

Foi posto ainda alguns exemplos pelos membros André, Germana, Iasna, e Antônio sobre os modelos de escola que temos atualmente, nos quais são voltados a uma perspectiva competitiva e nada humanista. Mas que também podemos encontrar escolas com viés de formação mais humana e sadia.

Como coordenador do capitulo, Alan, iniciando a sua fala sobre o texto, destaca que o autor, logo no começo do capitulo, coloca a discussão sobre a personalidade jurídica e a expressão da razão e da vontade nos contratos. Alan questiona a vontades contidas nos contratos com a pergunta: será que realmente o ser humano sempre age na razão, e na sua vontade? A razão guia tudo? E relembrando algumas pesquisas, Alan apontou que hoje, de fato, podemos ver questões jurídicas que não são pautados na razão como a discriminação por preconceito implícito. O direito que temos hoje parte do pressuposto da vontade declarada, em que se foi declara essa vontade é aquilo, mas será que naquele momento se tinha mesmo essa anuência de fato? A teoria geral do direito foi toda construída nessa pontuação da vontade declarada.

Stephanny, coloca por último, como internalizamos o consumismo exacerbado e como se pauta o direito na questão da propriedade, usando premissas de que aquilo que eu compro é meu, sem a consciência do coletivo.

Autor: grupoecomplex

O Grupo de Estudos “ECOMPLEX: Direito, Complexidade e Meio Ambiente” lançou edital para seleção de membros. O ECOMPLEX é coordenado pela Prof.ª Dr.ª Germana Belchior e possui as seguintes linhas de pesquisa: Pensamento Complexo, Direito e Transdisciplinaridade: busca investigar acerca do pensamento complexo e suas consequências para o conhecimento científico do Direito e o diálogo de saberes. Tem como pergunta de partida: Como e em que medida o pensamento complexo influencia os saberes no Direito? Complexidade, Epistemologia e Direito Ambiental: pretende investigar como o Direito Ambiental influencia a formação de uma nova epistemologia jurídica sob a óptica do pensamento complexo. Tem como pergunta de partida: Quais são os fundamentos de uma epistemologia jurídico-ambiental? Complexidade e Ensino Jurídico: intenta investigar sobre a necessidade premente de transformações no ensino jurídico em virtude do pensamento complexo. Tem como pergunta de partida: Qual é a repercussão do pensamento complexo no ensino jurídico e, consequentemente, na formação de futuros profissionais do Direito?

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